Skip to article frontmatterSkip to article content
Site not loading correctly?

This may be due to an incorrect BASE_URL configuration. See the MyST Documentation for reference.

Fundamentos

6. Autovetores e Autovalores

Os conceitos de autovalores e autovetores são um dos mais centrais na Álgebra Linear, possuindo inúmeras consequências e aplicações. Aqui, voltaremos nossa atenção para o estudo dos operadores lineares (transformações lineares de um espaço vetorial para ele mesmo), em particular, subespaços do espaço domínio com propriedades especiais em relação a um dado operador.

Lembre-se que L(V)\mathcal{L}(V) denota o conjunto dos operadores lineares em um espaço vetorial VV de dimensão finita.

Noções iniciais - Subespaços invariantes

Um subespaço invariante é um subespaço “fechado” sobre um operador TT, todos os vetores desse subespaço são levados por TT em vetores também desse subespaço.

É comum denotarmos TUT|_{U} para o operador TT restrito ao subespaço UU como domínio, ou seja, TUL(U,V)T|_{U} \in \mathcal{L}(U,V) com UVU \subseteq V e a transformação dada por TT. Nesse sentido, UU é um subespaço invariante sobre TT quando TUT|_{U} é um operador em UU (TUL(U)T|_{U} \in \mathcal{L}(U)).

Autovetores e autovalores

O estudo dos autovetores e autovalores se inicia com o enfoque em subespaços invariantes de dimensão 1.

Veja que se um subespaço UVU \subseteq V de dimensão 1 é invariante sobre TL(V)T \in \mathcal{L}(V) e uVu \in V é uma base desse subespaço, então TuTu deve corresponder a um múltiplo escalar de uu. Ou seja,

Tu=λu,λR.Tu=\lambda u, \quad \lambda \in \mathbb{R}.

Reciprocamente, se uVu \in V é não nulo e tal que Tu=λuTu = \lambda u, para algum λR\lambda \in \mathbb{R}, então o subespaço U={αu:αR}U=\{ \alpha u: \alpha \in \mathbb{R} \} é um subespaço invariante de dimensão 1 com relação à TT.

Essa noção nos leva à seguinte definição:

Chamamos o subespaço invariante de dimensão 1 gerado por vv de autoespaço associado a vv. Note que todo vetor pertencente ao autoespaço de vv (ou seja, os múltiplos de vv) também será um autovetor associado ao mesmo autovalor λ\lambda. Se pensarmos no caso do Rn\mathbb{R}^{n}, todo autoespaço de um operador linear corresponde a uma reta (a gerada pelo autovetor correspondente) que é preservada (mantida no lugar) com a aplicação do operador.

Observe também que não é feita nenhuma restrição em relação ao valor de λ\lambda. Em particular, quando existem autovetores associados ao autovalor λ=0\lambda=0, o operador não será invertível, pois o seu núcleo é não trivial (lembre-se que autovetores são não nulos por definição).

Um exemplo trivial de autovetores e autovalores provém do operador identidade, IL(V)I \in \mathcal{L}(V). Para todo vVv \in V temos Iv=vIv=v, logo, todo vetor do espaço VV é um autovetor de II, com autovalor associado igual a 1.

Antes de partirmos para um exemplo prático, considere a seguinte observação:

É através dessa observação e do Teorema 4.18 (Invertibilidade de uma matriz) que encontramos/calculamos os autovetores e autovalores de um operador linear (lembre-se que toda transformação linear está associada a uma matriz).

Como já comentado algumas vezes, os autoespaços, do ponto de vista geométrico (pensando no Rn\mathbb{R}^{n}), são retas preservadas após a aplicação do operador. No exemplo anterior, os autoespaços correspondem aos eixos do plano, com a reta das abcissas correspondendo ao autoespaço gerado por (1,0)(1,0) e a reta das ordenadas ao autoespaço gerado por (0,1)(0,1). O vídeo abaixo ilustra visualmente essa ideia. Veja que o comportamento geométrico da transformação T=[2001/2]T=\begin{bmatrix}2 & 0 \\ 0 & 1/2\end{bmatrix} do exemplo anterior é de alongar a componente horizontal por um fator 2 e comprimir a componente vertical por um fator 1/21/2. Observe o eixo xx, destacado em amarelo:

O eixo yy também é preservado, já que (0,1)(0,1) também é autovetor.

Parte da importância prática de autovetores/autovalores se deve a essa noção de “preservação” sobre uma transformação.

Por último, temos um importante teorema e corolário envolvendo autovalores e autovetores.

Footnotes
  1. A restrição de que vv seja não nulo provém do fato de que caso v=0v=0, para qualquer λR\lambda \in \mathbb{R} teríamos Tv=T0=0=λ0Tv=T0=0=\lambda0, então 0 seria sempre autovetor de qualquer autovalor λ\lambda. Essa restrição remove esse caso trivial e torna a definição mais “limpa”, focando somente nos casos relevantes.